Saturday, November 11, 2006

Monólogo (Chico Anísio)

Mundo moderno, marco malévolo, mesclado mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutáias, majestoso manicômio, meu monólogo, mostra mentiras mazelas misérias, massacres miscigenação, morticínio maior, maldade mundial, madrugada matuto magro macrocéfalo mastiga média morna, monta matumbo malhado munido machado martelo mochila mucha margeia mata maior, manhãzinha move moinho moendo macaxeira mandioca meio dia mata marreco mais já melhorzinho, meia noite mima mulherzinha mimosa Maria morena momento maravilha, motivação mutua mas monocôrdia mesmice muitos migram mascilentos maltrapilhos moravam modestamente malocas metropolitanas, mocambos miseráveis menos moral menos mantimentos mais menosprezo, metade morre mundo maligno, misturando mentiras, maltratados menores metralhados mandões meretrizes marafonas mocinhas, mera meninas mariposas madificando-se moralmente modestas moças maculadas mercenárias mulheres marcadas mundo medíocre, milionários montam mansões magníficas melhor mármore mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo Mercedes motorista, mãos magnatas manobrando milhões mas maioria morre minguando moradia meiagua menos marquise, mundo maluco, máquina mortífera, mundo moderno melhore, mais melhore muito, melhore mesmo, merecemos maldito mundo moderno, mundinho merda.

Friday, October 27, 2006

canção do violeiro


Passa, ó vento das campinas,
Leva a canção do tropeiro.
Meu coração 'stá deserto,
'Stá deserto o mundo inteiro.
Quem viu a minha senhora
Dona do meu coração?

Chora, chora na viola,
Violeiro do sertão.

Ela foi-se ao pôr da tarde
Como as gaivotas do rio.
Como os orvalhos que descem
Da noite num beijo frio,
O cauã canta bem triste,
Mais triste é meu coração.

Chora, chora na viola,
Violeiro do sertão.

E eu disse: a senhora volta
Com as flores da sapucaia.
Veio o tempo, trouxe as flores,
Foi o tempo, a flor desmaia.
Colhereira, que além voas,
Onde está meu coração?

Chora, chora na viola,
Violeiro do sertão.

Não quero mais esta vida,
Não quero mais esta terra.
Vou procurá-la bem longe,
Lá para as bandas da serra.
Ai! triste que eu sou escravo!
Que vale ter coração?

Chora, chora na viola,
Violeiro do sertão.



Castro Alves

Thursday, October 26, 2006

=]


era mais um dia
um dia de céu azul
é um dia claro
um momento raro
pra quem é do asfalto
o sangue não é azul
é vermelho como o sol
é o sangue novo
que nasceu do pó
sem dizer a que veio
se achando o tal
mas fazendo tudo igual
barato para um fim
astúcia sufoca o peito
o medo e a contravenção
caminho por ruas, bifurcações
mas no fim da minha rua
tem areia branca

foto e efeito tosco by me